Diagnóstico por Imagem no Câncer de Mama: Mamografia, Ultrassom e Ressonância
🎗️ Outubro Rosa e a importância do rastreio
Outubro lembra a necessidade do rastreio do câncer de mama — quanto mais cedo for identificado, maior a chance de tratamento curativo e menos agressiva a terapia. O diagnóstico por imagem é peça-chave: mamografia, ultrassom e ressonância magnética têm papéis complementares e são escolhidos conforme idade, risco, sintomas e achados clínicos.
📌 Quando procurar exame?
- Mulheres a partir de 40 anos: discutir com médico sobre iniciar rastreio (muitas diretrizes recomendam mamografia a cada 1-2 anos a partir dos 40–50).
- Qualquer idade: nódulo palpável, secreção sanguinolenta, assimetria de mama, ou história familiar forte de câncer de mama.
- Pacientes de alto risco (mutação BRCA, histórico familiar severo): rotina com RM complementar conforme orientação do especialista.
🔎 Mamografia — o exame de rastreio padrão
A mamografia digital (e a tomossíntese/DBT — mamografia 3D) é o método mais sensível para detecção precoce de microcalcificações e pequenas lesões. É exame de escolha para rastreio populacional por unir sensibilidade, especificidade e custo-benefício.
Posicionamento e protocolo (técnico)
- Posição: paciente em pé ou sentada; compressão padronizada para reduzir sobreposição de tecido e melhorar resolução.
- Incidências: padrão mínimo é 2 incidências por mama — crânio-caudal (CC) e oblíqua mediolateral (MLO). Tomossíntese pode adicionar cortes 3D.
- Duração: rápido — geralmente alguns minutos; desconforto devido à compressão é comum mas temporário.
Vantagens e limitações
Vantagem: ótima para microcalcificações e tumores iniciais. Limitação: menor sensibilidade em mamas densas (gemas fibroglandulares), quando o ultrassom e/ou RM podem complementar.
🔊 Ultrassom mamário — exame complementar e inicial para queixas
O ultrassom é a escolha para avaliação de nódulos palpáveis, para distinguir lesões císticas de sólidas e em pacientes jovens com mamas densas. É portátil, sem radiação e útil para guiar punções e biópsias.
Posicionamento e protocolo (técnico)
- Posição: paciente em decúbito dorsal com braço do mesmo lado elevado para estender a mama.
- Transdutor: linear de alta frequência (7–15 MHz) para maior resolução de estruturas superficiais.
- Mapeamento: varredura sistemática em quadrantes e retroareolar; medições do nódulo e relação com a pele e parênquima.
Vantagens e limitações
Vantagem: excelente para mamas densas e para caracterizar cistos; permite procedimentos guiados. Limitação: operador dependente e menor sensibilidade para microcalcificações.
🧲 Ressonância Magnética de Mama (RM) — exame de maior sensibilidade
A RM de mama (preferencialmente com contraste paramagnético — gadolínio) tem alta sensibilidade para detectar lesões invasivas e carcinoma ductal in situ em contextos selecionados (alto risco, avaliação pré-operatória, mamas densas ou dúvida após mamografia/US).
Posicionamento e protocolo (técnico)
- Posição: paciente em decúbito ventral em bobina dedicada para mama, com ambas as mamas pendentes e imobilizadas para reduzir artefatos.
- Sequências essenciais: T1 pré-contraste, T2 com supressão de gordura, dinâmico pós-contraste (DCE-MRI) com múltiplas fases temporais; cortes finos e alta resolução (cortes isotrópicos quando possível).
- Contraste: gadolínio intravenoso em bolus — análise cinética (wash-in/wash-out) ajuda a diferenciar lesões benignas de malignas.
- Tempo do exame: cerca de 20–40 minutos dependendo do protocolo.
Vantagens e limitações
Vantagem: maior sensibilidade, útil em triagem de pacientes com alto risco genético, avaliação de extensão tumoral e resposta à quimioterapia. Limitação: custo elevado, baixa especificidade (pode gerar falso-positivo) e necessidade de contraste (avaliar função renal e alergias).
📋 Tabela comparativa
| Aspecto | Mamografia | Ultrassom | Ressonância (RM) |
|---|---|---|---|
| Finalidade principal | Rastreamento populacional; detecção de microcalcificações | Avaliação de nódulos palpáveis; diferencial cístico vs sólido | Triagem em alto risco; avaliação da extensão da doença; casos complexos |
| Radiação | ✅ Sim (baixa dose) | ❌ Não | ❌ Não |
| Sensibilidade em mama densa | ⬇️ Reduzida | ↔️ Boa para lesões superficiais | ✅ Alta |
| Uso de contraste | Não (geralmente) | Não | Geralmente sim (gadólínio) para DCE |
| Custo relativo | Baixo–Médio | Baixo | Alto |
| Tempo de exame | Rápido (minutos) | Rápido (minutos) | 20–40 minutos |
| Melhor para | Microcalcificações, lesões iniciais | Lesões palpáveis, guias para biópsia | Doenças multifocais, triagem em alto risco, avaliação pré-operatória |
💸 Relação custo-benefício
— Mamografia: melhor relação custo-benefício para rastreio populacional devido ao menor custo e boa detecção de lesões iniciais.
— Ultrassom: custo baixo e grande valor como exame complementar, especialmente em mamas densas e no seguimento de achados palpáveis.
— RM: alto custo, mas indicado em pacientes selecionadas (alto risco, avaliação de extensão, discrepância entre mamografia e US). Decisão deve ser individualizada e baseada em risco e impacto clínico.
⚙️ Papel do técnico em radiologia
- Realizar posicionamento correto para mamografia (compressão adequada e imagens simétricas).
- Executar estudo ultrassonográfico com mapeamento sistemático e documentação de medidas e imagens representativas.
- Programar RM de mama com protocolo dinâmico, garantir bolus de contraste e imagens de alta resolução; orientar a paciente quanto ao tempo e à necessidade de cooperação.
- Assegurar registros para laudo comparativo e comunicação rápida com o radiologista em casos de achados suspeitos.
🔔 Quando cada exame é indicado — resumo prático
- Rastreamento de rotina: Mamografia (a partir da idade definida pela diretriz local).
- Lesão palpável em jovem: Ultrassom como primeiro exame.
- Discrepância entre exames ou alto risco: RM de mama.
- Guia para punção ou biópsia: Ultrassom (quando visível) ou estereotaxia para mamografia; RM para casos específicos.
Conclusão: Mamografia, ultrassom e ressonância são ferramentas complementares. A escolha entre elas depende da finalidade — rastreio, diagnóstico ou planejamento terapêutico — e do perfil da paciente. Mantendo protocolos corretos e comunicação entre técnico e radiologista, o diagnóstico precoce e o cuidado adequado são fortalecidos.