🩸 O Mistério do Sangue na RM: Identificação e Estágios Evolutivos

Ilustração de hemorragia cerebral na Ressonância Magnética

📤 Compartilhe este post:

Facebook | Twitter | WhatsApp | Instagram

A interpretação da hemorragia na Ressonância Magnética (RM) é um dos maiores desafios diagnósticos. O sinal do sangue não é fixo; ele evolui com o tempo devido à degradação da hemoglobina. Entender essas transformações é crucial para a datação e o diagnóstico preciso do sangramento.

🟥 Estágios e Componentes Chave

O sinal que observamos é determinado pela forma química que a hemoglobina (Hb) assume dentro ou fora da célula vermelha, influenciando as propriedades de T1 e T2 do tecido:

Estágio Tempo Estimado Principal Componente
HiperagudoPrimeiras 6hOxi-hemoglobina
Agudo1 a 3 diasDesoxi-hemoglobina
Subagudo Precoce3 a 7 diasMeta-hemoglobina (Intracelular)
Subagudo Tardio1 a 4 semanasMeta-hemoglobina (Extracelular)
Crônico> 1 mêsHemossiderina e Ferritina

🟦 Sinal do Sangue: A Tabela de Referência

O contraste entre "brilhante" (hiperintenso) e "escuro" (hipointenso) é a chave. Note que o estágio subagudo tardio é o único onde o sangue brilha em ambas as sequências primárias (T1 e T2):

Estágio T1 Ponderado (T1W) T2 Ponderado (T2W) FLAIR
Hiperagudo Isointenso / Hipointenso Hiperintenso (Brilhante) Hiperintenso
Agudo Isointenso Hipointenso (Escuro) Hipointenso
Subagudo Precoce Hiperintenso (Brilhante) Hipointenso Hipointenso
Subagudo Tardio Hiperintenso (Brilhante) Hiperintenso (Brilhante) Hiperintenso
Crônico Hipointenso Hipointenso Hipointenso

🟢 A Caça ao Sangue: Sequências Sensíveis ao Ferro

Para confirmar a presença de hemorragia, especialmente sangramento crônico (Hemossiderina), as sequências que exploram a **suscetibilidade magnética** são cruciais:

1. SWI (Susceptibility Weighted Imaging)

É a sequência **mais sensível** ao **ferro paramagnético** (hemossiderina e desoxi-hemoglobina).

  • Aparência: Áreas de sangramento aparecem como **sinal muito baixo (preto)**, devido à distorção do campo magnético local.
  • Efeito: O efeito de *blooming* pode fazer o sangramento parecer maior do que é, sendo essencial para micro-hemorragias.

2. Gradiente de Eco (GRE)

Funciona com um princípio semelhante ao SWI, detectando o efeito do ferro. É o padrão em muitos equipamentos mais antigos.

  • Aparência: Também gera **sinal baixo (preto)** intenso em locais de hemorragia crônica.

💡 Dica Prática: A combinação de **Hipossinal intenso na SWI/GRE** (ferro) com **Hipersinal espontâneo em T1** (Meta-hemoglobina) é a assinatura mais forte de hemorragia em Ressonância Magnética.

Conclusão: O profissional de radiologia deve dominar essa evolução temporal do sinal. A correta interpretação do hematoma permite não apenas o diagnóstico, mas também a datação aproximada do evento hemorrágico, informação vital para o manejo clínico.

📤 Compartilhe este post:

Facebook | Twitter | WhatsApp | Instagram