🦴 Técnica FRACTURE na RM: Dominando o Protocolo para o Detalhe Ósseo
A **Técnica FRACTURE** (ou Black Bone) é uma sequência de RM adaptada que oferece alta resolução óssea, tradicionalmente vista apenas na Tomografia Computadorizada (TC). Para o operador, dominar a física e as variáveis dessa sequência de Gradiente de Eco (GRE) 3D é o segredo para o sucesso diagnóstico. FRACTURE é um acrônimo para: **F**ast **F**ield echo **R**esembling **A** **C**T **U**sing **R**estricted **E**cho-spacing.
Modalidades de Imagem: O Desafio do Osso
A RM buscou fechar a lacuna na visualização óssea, enquanto mantém sua superioridade na avaliação de partes moles.
| Modalidade | Foco Principal | Vantagem para Fratura |
|---|---|---|
| Radiografia (RX) | Detecção inicial de fraturas macroscópicas. | Rápida, barata, disponível. |
| Tomografia (TC) | Estruturas ósseas complexas e detalhe cortical. | Alta resolução espacial do osso. |
| Ressonância (RM) | Tecidos moles (ligamentos, medula óssea). | Detecção precoce de edema ósseo. |
💡 Objetivo FRACTURE: Combinar a alta resolução óssea da TC com a excelente diferenciação de partes moles da RM, sem o uso de radiação ionizante.
1. ⚛️ O Princípio Físico por Trás do "Osso Preto"
O osso cortical tem um tempo de relaxamento T2 extremamente ultracurto. O sinal decai quase instantaneamente. A FRACTURE manipula a física para capturar esse sinal transitório.
Mecanismo Chave: T2 Ultracurto e GRE
A técnica é construída a partir de uma sequência **3D Gradiente de Eco (GRE)**. Para capturar o sinal do osso cortical, que é zero em sequências T2 normais:
- Tempo de Eco (TE) Mínimo: Permite que a aquisição comece o mais rápido possível após o pulso de RF, capturando o sinal antes da sua perda completa.
- Sinal Zero do Osso Cortical: Em condições ideais de TE mínimo, o pouco sinal capturado é suficiente para delimitar a fronteira cortical de forma nítida.
2. 🛠️ Protocolo FRACTURE: Variáveis Essenciais para o Operador
Para construir a sequência (que pode ser chamada de **Black Bone**, **Bone VIBE** ou **T1-SPGR/FFE** otimizado, dependendo do fabricante), o operador deve focar nos seguintes parâmetros:
| Variável | Valor Ideal (Região MSK/Articular) | Justificativa Operacional |
|---|---|---|
| Tipo de Sequência | 3D Gradient Echo (GRE) (ou VIBE, SPGR, FFE) | Sequência de pulso mais rápida e que permite TE ultracurto. |
| Tempo de Eco (TE) | Mínimo Absoluto (< 1.5 ms) | O Ponto Mais Crítico. Capta o T2 ultracurto. |
| Tempo de Repetição (TR) | Curto (10 - 20 ms) | Permite a cobertura 3D em tempo aceitável. |
| Ângulo de Flipping | Alto (30º a 45º) | Maximiza o sinal transversal no regime de aquisição rápida (TR curto). |
| Matriz de Aquisição | Alta (Ex: Matriz 320 ou mais) | Necessário para a alta resolução espacial do detalhe cortical. |
| Espessura de Corte | Fina (0.6 mm a 1.2 mm) | Permite a visualização volumétrica e reconstruções MPR de alta qualidade. |
| Supressão de Gordura | Opcional (Recomendado) | Suprime o sinal brilhante da medula óssea, aumentando o contraste com o osso cortical (preto). |
3. 🟢 Integração ao Protocolo (Workflow)
Para o Tecnólogo, a FRACTURE não substitui o protocolo padrão de Musculoesquelético (MSK), mas o complementa de forma poderosa:
Posicionamento no Fluxo de Trabalho:
- Prioridade de Edema: Mantenha sequências como STIR ou T2 Fat-Sat no início para detecção de edema medular (fraturas por estresse ou tumores).
- Posição FRACTURE: Incorpore a FRACTURE (3D GRE T1 ultracurto) logo após a avaliação de edema e antes dos T1s longos.
- Pós-Processamento: Utilize o *Volume Rendering* e as reconstruções multiplanares (MPR) com a FRACTURE para criar vistas 3D semelhantes à TC.
💡 Ação Imediata: Localize em seu equipamento a sequência 3D Gradiente de Eco que permite o ajuste manual do **Tempo de Eco (TE)** para o valor mais baixo. Reduza o TE ao mínimo e aumente a Matriz para atingir o efeito FRACTURE em sua rotina.
Conclusão: Entender que FRACTURE não é uma sequência proprietária, mas sim um protocolo otimizado de GRE 3D, empodera o tecnólogo a replicar essa qualidade de imagem em qualquer equipamento, elevando o padrão de diagnóstico musculoesquelético por RM, oferecendo o detalhe ósseo sem a limitação da radiação.
Fonte/Referência da Imagem: mrispins.com.br